Seria precipitado demais, se ela quisesse sumir? Perguntava-se todas as noites, se já chegou ao seu limite. “Não quero mais fingir sorrisos, inventar histórias. As histórias mais loucas, as mais complicadas, as mais intensas, pra não precisar contar a verdadeira.” […] Poderia haver um final feliz.Esse é o nome, do caderno estupido em que ela escreve todos os tipos de textos. […] E mais uma vez, a noite chegou, fria. Infelizmente para ela, a chuva não era mais tão acolhedora assim, ela não sentia mais vontade de dormir, e escutar as gotas caírem no chão. Está vestindo uma blusa do Guns n’ Roses que ganhou de uma amiga. Uma blusa aliás, que gostava muito. Porém, de tanto ser usada, virou pijama. Seus braços estavam gelados, e todos na casa estão dormindo, porque afinal, eram 7:30 da manhã. Por que o sonho não chegava?[…] Após tanto rolar em sua cama, exausta, decidiu escrever em seu caderno, angustiada. Seu coração não aguentava mais, guarda tudo para si. E enquanto ela procurva alguma página em branco, perguntava-se o porque era desse jeito. Tão ingenua. Tão imbecil, ao ponto de escutar músicas tristes e isolar-se no quarto, ao invés de sair com os amigos, fazer-se esquecer. […] Pegou sua caneta azul, e começou a escrever:
Essa noite está fria. Muito. Estou com um desejo de sentir um braço forte essa noite. Um abraço amigo. Dizem que quem vive de passado é museu, e quem se apega a lembranças está esquecendo de viver. Mas, e se as lembranças forem tudo o que me restou? Antes de inventarem frases estupidas pensaram nisso? Será que eu deveria procurar ajuda? Porque está parecendo que eu estou curtindo essa dor. Eu não como mais. E eu choro, o tempo todo, pensando em como seria se eu estivesse lá, segurando a mão dele. Escuto músicas tristes, e estou agindo friamente com quase todos. Eu sei, eles não tem culpa de nada que está havendo. Mas não estou sabendo como lidar com essa explosão de ódio e tristeza no meu peito. Infelizmente, não há como se acostumar com a perda. […]
Com seus olhos cheios d’água, borrando sem querer o que escrevera no caderno com suas lagrimas, a menina tentava controlar-se. Sem querer bancar a menininha que chora ao quarto todas as noites. Então, simplesmente pegou um pedaço de papel, e voltou-se a escrever:
Eu sinto a tua falta. Obrigada por cuidar de mim, mesmo de longe. Obrigada por ter me tornado tão especial quando você é para mim. Obrigada por me ligar de madrugada de veis em quando, só para dizer boa noite, ou me distrair quando eu estava triste. Você sempre foi e será um irmão pra mim, e quero que saibas, querido, tua memória manterá fresca e firme em meu coração. Ninguém irá arranca-lo de mim, nunca mais, de novo. Eu te amo, e se cuida ai no céu.
Você pode achar tolice o que a menina fez, porque afinal, o garoto está morto. Mas ela sabia, ela sentia dentro de seu coração, que ele estaria sorrindo naquele momento, e o que foi o suficiente, pra garota poder ir dormir tranquilamente